Lia Wyler (Ourinhos, São Paulo, 6 de outubro de 1934) é uma tradutora de livros.
Lia Wyler vem traduzindo livros desde 1969. Em seu currículo na área, encontram-se livros de autores de língua inglesa como Henry Miller, Joyce Carol Oates, Margaret Atwood, Gore Vidal, Tom Wolfe, Sylvia Plath, Stephen King e vários outros. No entanto, foi apenas com as traduções da série de Harry Potter que Lia conseguiu maior fama. Ela foi muito elogiada pela autora, J.K. Rowling, por ter ousado fazer aproximações dos nomes originais para o português. "Bob Odgen", do sexto livro, por exemplo, virou "Beto Odgen", uma vez que "Bob" é apelido de "Robert", que, em português, equivale a "Roberto", cujo apelido é "Beto". Algumas gírias tipicamente brasileiras também foram incorporadas como tradução para termos como "Crookshanks" (literalmente, "pernas arqueadas"), que virou "Bichento" (palavra que, no nordeste do Brasil, significa "pernas tortas"). Lia se formou em Letras pela PUC-Rio e fez mestrado em Comunicação pela Eco-UFRJ, onde defendeu a tese A Tradução no Brasil. É também autora da primeira história da tradução no Brasil, "Línguas, poetas e bacharéis", e foi presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores de 1991 a 1993.
Se não fosse por Lia Wyler, você provavelmente não usaria os termos "quadribol" e "trouxa" em suas conversas. É ela a responsável pelo fato das crianças brasileiras conhecerem tão bem essas palavras: Lia traduz os livros de J. K. Rowling no Brasil.
Lia Wyler lê as histórias do bruxo antes de todo mundo e ainda pode decidir como jogos, criaturas e personagens vão se chamar. Está com inveja? Pois saiba que este não é um trabalho fácil. Para traduzir as 704 páginas de "Harry Potter e a Ordem da Fênix", Lia trabalhou dia e noite, sem parar, correndo contra o tempo e trancafiada no prédio da Editora Rocco, no Rio de Janeiro.
Além disso, traduzir os livros do bruxinho mais famoso do mundo não é trabalho para qualquer um. Lia tem 34 anos de experiência e já traduziu grandes autores, como Henry Miller, Sylvia Plath, Gore Vidal, Tom Wolfe, Stephen King e Joyce Carol Oates. Por seu trabalho nos três primeiros volumes de "Harry Potter", ela foi premiada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
A principal função de Lia é adaptar os livros para que as crianças daqui possam entendê-los. Seu trabalho serve também de apoio para o pessoal que legenda os filmes do bruxinho no Brasil.
Às vezes, suas traduções causam polêmica. Já aconteceu também dela precisar inventar palavras em português para traduzir termos criados pela própria Rowling. Mas tudo é feito com muito rigor: Lia realiza uma extensa pesquisa da língua portuguesa e do jeito que ela é falada no Brasil inteiro antes de criar um novo termo para alguma aventura de Harry Potter.
VOCÊ SABIA?
- A Editora Rocco montou um esquema especial para lançar "Harry Potter e a Ordem da Fênix" no Brasil. A edição original, em inglês, chegou aqui ao mesmo tempo em que foi lançada na Inglaterra. Lia Wyler trabalhou dentro da sede da editora, no Rio, usando um computador sem conexão com a internet. À medida que os textos iam ficando prontos, eram revisados e iam direto para a diagramação (onde o texto é montado dentro das páginas). Tudo isso para preservar o segredo do livro.
- O gato de Hermione se chama Bichento porque, no Ceará, bichento é o indivíduo que tem pernas tortas. Em inglês, o nome do gato é "Crookshanks", que significa "pernas arqueadas". Bichento também foi escolhido porque lembra bichano, sinônimo de gato no Brasil.
